Novo relatório do IPCC afirma que homem pode frear aquecimento globalOs humanos precisam fazer cortes profundos nas emissões de gases nocivos nos próximos cinquenta anos para manter o aquecimento global sob controle, mas isso pode custar apenas uma pequena fração da produção mundial, conforme o último relatório da Organização das Nações Unidas sobre mudanças climáticas. O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), no terceiro de uma série de relatórios, disse que a manutenção do aumento das temperaturas dentro da margem de dois graus Celsius custaria apenas 0,12 por cento do produto interno bruto anual. Para manter a margem de dois graus de aquecimento, que cientistas dizem ser necessária para evitar mudanças desastrosas no clima mundial, é preciso que as emissões de dióxido de carbono caiam entre 50% e 85% até 2050, diz o relatório. Mas avanços tecnológicos -- principalmente na produção e no uso mais eficiente de energia -- significam que essas metas são possíveis, afirma o texto.
O relatório ressalta o uso de energia nuclear, solar e eólica, mais prédios e iluminação com uso eficiente de energia, bem como a captura e o armazenamento de dióxido expelido por usinas movidas a carvão, além de plataformas de petróleo e de gás. O painel disse também pela primeira vez que mudanças no estilo de vida podem ajudar no combate ao aquecimento global. O texto não dá exemplos, mas o presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, disse que entre suas sugestões pessoas estão desligar o termostato e consumir menos carne vermelha, o que poderia reduzir as emissões de metano animal. "Há medidas de estilo de vida, mas você não abrirá mão de nada e pode até beneficiar-se", disse ele em entrevista coletiva.
Leia as sugestões do IPCC para frear o aquecimento globalVeja como a ONU entende que o aquecimento pode ser ser estabilizado (Gráfico O Globo)O relatório, aceito por cientistas e autoridades de mais de cem países, revê os últimos dados científicos sobre custos e meios de cortar o aumento das emissões. O objetivo é formar uma linha de ação para governos, sem dizer exatamente o que fazer. "Não há desculpas para esperar", disse o Comissário Europeu do Ambiente, Stavros Dimas. Pachauri disse que um alto interesse público pode levar governos a agir. Em alguns casos, disse o painel, a tecnologia pode resultar em benefícios significativos, como cortes nos custos de saúde, ao diminuir a poluição. Até mesmo um calendário para o plantio de arroz, ou um melhor gerenciamento de rebanhos bovinos e caprinos podem ajudar a cortar as emissões de metano, sustenta o documento. Os dois relatórios anteriores previram um futuro sombrio em decorrência do aquecimento global induzido por humanos, com mais fome, secas, ondas de calor e elevação dos níveis dos mares.
Alexandre Amaral de Aguiar - 05/05/2007 04:23:48